Central da Periferia

Central da Periferia
23/12/2007

Cidade do México

Regina Casé mostra como o povo mexicano é festeiro. Sua aventura ao redor do mundo chega ao fim hoje, em clima de festa.


23/12/2007

UM ANO NOVO

Hoje à noite, no Fantástico, vamos exibir o último episódio da série “Central da Periferia – Minha Periferia é o Mundo” mostrando as festas que fomos encontrando pelo caminho. Como em muitas outras vezes, eu devo estar parecendo uma louca, deslumbrada, encantada com a favela, os pobres, os pretos... É que na favela há muitas drogas e a mais forte delas, que realmente altera a percepção, me viciou.

Essa droga que faz com que o garoto da favela ao cruzar a fronteira pra ir à padaria na pista seja imediatamente visto com desconfiança, que ao cruzar este limite físico pra ir pro trabalho de office boy já no ponto de ônibus mude a maneira de falar, de olhar, de andar para não tomar uma dura, pra não perder o emprego.

Esse front (às vezes com barricadas concretas) faz com que a cozinheira deixe de rebolar e falar alto; ou que o garçom deixe de dar as opiniões que tem sobre o que os clientes conversam na mesa do restaurante; ou que os milhares de motoristas de táxi em Paris, no México ou NYC, cada um vindo de um outro país mais pobre ainda (esses motoristas dos quais só vemos a nuca...) só cumpram nossas ordens e nunca nos dêem sugestões de lugares para conhecer em suas periferias. Cada um deles tem mil desejos, sonhos, uma bagagem cultural enorme e diferente uma da outra. Tudo isso some do lado de cá da fronteira. Se os moradores da periferia são invisíveis, seus sonhos e desejos são mais etéreos e invisíveis ainda.

Só que com essa droga, também invisível e instantânea - que é simplesmente ultrapassar esse limite e entrar na favela e ver cada fantasma desses como uma pessoa inteira e diferente de todas as outras (e não apenas como um número numa das milhares de estatísticas da evidente exclusão) - é impossível não ficar alterada, parecendo maluca, apaixonada. Às vezes me envergonho de parecer assim nos programas - mas não tem outro jeito.

Às vezes essa potência toda desce e aparece como numa Escola de Samba que passa e arrebata, ainda mais se você reconhecer a senhora inexpressiva que lhe serve o cafezinho brilhando como uma rainha. Ou se você vai a um show dos Racionais MCs e sente a mesma porrada da bateria da escola de samba na voz em uníssono de TODA a platéia cantando TODAS as letras, cada uma maior e mais difícil de memorizar do que qualquer samba enredo.

Quando se vê aquelas fotos terríveis de uma cela em qualquer prisão do mundo com apenas as mãos pra fora das grades, saber que cada mão daquelas traz desejos, ódios, amores, medos diferentes entre si e um desejo único que é: a FAVELA tem que deixar de ser uma extensão da PRISÃO e a PRISÃO tem que deixar de ser uma extensão da FAVELA.

Ainda se vive este engano “de época”, esta ilusão “de novela das seis” onde os protagonistas fazendeiros brancos e ricos são todos diferentes entre si: bons, maus, bonitos, feios, se apaixonam, têm desejos, angústias. E os negros fazem papel de “negros”, são escravos e pronto (no máximo havia um escravo malvado e outros vinte sofridos e indolentes, como no bang-bang americano onde os brancos pensavam, sonhavam, se casavam,tinham filhos etc. e os índios falavam RAU, entre outros barulhos).

Ainda hoje quando a história se passa na periferia, mesmo contada por alguém bem intencionado, os atores estão quase sempre divididos em dois papéis: “vítimas da sociedade” ou os que “escaparam do crime”. Depois deste ano de viagens por periferias de diferentes países, procurando semelhanças e às vezes encontrando enormes diferenças, sinto que nenhum desses papéis representa mais nada. Mas o que fazer com a paixão dessa descoberta? E o que fazer com toda essa potência, inexpressa e invisível?

Como encerrar o ano, como fazer um balanço, como desejar algo de bom pro ano que vem? Só me vem uma imagem na cabeça: no interior de Moçambique chegamos a uma aldeia que acreditava ser o lugar mais remoto que já conheci, ninguém falava português ou inglês ou francês. O chefe tinha várias mulheres e estávamos numa esteira na terra batida (eu encantada, olha eu encantada de novo dizendo pro Estevão: filma, filma!), uma mulher socava milho num pilão em frente a sua casa “toca” de barro. Eu impressionada com a distância do meu mundo quando de repente ela larga o pilão. Pra quê? Pra atender seu celular!!! Meu mundo caiu! E dos escombros desse mundo vêm meus votos de felizes anos novos. Não sei se periferia é periferia em qualquer lugar, mas descobri que o MERCADO é o MERCADO em todo lugar.

Agora é rezar para que “São Mercado”, que precisa tanto deste “CONTINGENTE TÃO INEXPRESSIVO, DESTE CONTINENTE TÃO EXPRESSIVO”, perca o controle e leve tudo isso pra outro lugar mais justo e bonito. Que “DEUS” seja essa inteligência caótica, que o “ACASO” nos surpreenda, ou mesmo que aquilo que se chamava revolução na época da novela das seis venha e que as armas sejam todos esses eletrodomésticos que todas essas domésticas parcelam a perder de vista, que as armas sejam os milhões de celulares comprados por esses milhões de favelados. Que as casernas onde seja tramada esta “revolução” sejam as milhares de LAN HOUSES escondidas como bocas de fumo nas milhares de favelas do mundo. Que os panfletos revolucionários sejam também os bilhões de CDs e DVDs piratas levados por frotas de vans também piratas na velocidade da luz com energia de solar.

Que o feitiço vire contra o feiticeiro, que todos nós possamos ter um ano novo.

Regina Casé é criadora e apresentadora do Central da Periferia

18/12/2007

Ecologia das armas - Parte 2

Semana passada o Central da Periferia mostrou a vinda ao Brasil de dois adolescentes haitianos que aprenderam português com as tropas brasileiras da Força de Paz da ONU. Hoje, vamos conhecer uma outra bem sucedida aproximação entre as forças policiais e a periferia: o GPAE do Morro do Cavalão, em Niterói. Aqui, nessa coluna, continuamos com o assunto segurança pública publicando a segunda parte do texto “Ecologia das Armas”. Na semana passada, falamos da favelização do Brasil, da importância da árvore Copaíba como fonte de remédios e terminamos com a pergunta: por quê a violência e a pobreza aumentam proporcionalmente à geração de riqueza?

Essa não é uma pergunta simples de ser respondida. A primeira resposta e mais imediata é a histórica concentração de renda. Mas isso não é uma novidade, no Brasil a geração de riqueza nunca foi sinônimo de distribuição de renda. Uma outra possível resposta é que as cidades estão grandes demais. Sim, mas em 1950 São Paulo já tinha 2,4 milhões de habitantes e os índices de violência nem chegavam perto dos índices de Foz do Iguaçu com aproximadamente 500 mil habitantes em 2007. Uma terceira resposta, verdadeira, é a banalização do acesso às armas de fogo. Segundo o Instituto de Estudos Internacionais de Genebra (Suíça), o Brasil é um dos maiores fabricantes de armas de pequeno porte do mundo, ao lado de países como China, Rússia, Alemanha e Estados Unidos. Além disso, armas como AK 47 e AR 15, de grande poder destrutivo, são encontradas em qualquer favela carioca. E, por fim, o abandono das políticas de investimentos púbicos em educação, saúde e habitação, que são importantes ferramentas na diminuição da violência, geraram um superávit econômico com enorme déficit social. Junto a isso, os investimentos prioritários do Estado brasileiro na produção de commodities para o mercado mundial fortaleceram o êxodo rural para as cidades, gerando mais concentração de largas extensões de terras nas mãos de poucos. Mas aí chegamos numa questão fundamental: de onde vem a riqueza que movimenta as indústrias que impulsionam a economia do mundo desde a revolução industrial? Da terra do planeta Terra: petróleo, ferro, manganês, ouro, diamante, bauxita, alumínio, silício, carvão, cobre etc.

O relatório “Proceedings of the National Academy of Sciences of United States of America” (2006 - vol. 103, pág. 1.209) chama atenção para a provável escassez de minerais estratégicos ainda no século XXI, destacando o importante papel da reciclagem de minerais, no lugar de da extração de reservas “virgens” da litosfera, para o desenvolvimento econômico e tecnológico da humanidade. Além dos inúmeros questionamentos que essa situação gera, um outro se faz importante e necessário: de quem é a riqueza gerada pelo planeta? De toda a humanidade (pelo menos foi isso que me disseram na escola...). Não é verdade. A propriedade destas riquezas está sendo disputada a ferro e fogo em todos os cantos do planeta. A Guerra do Golfo no Kuait e a dominação de sua produção de petróleo é um dos exemplos mais óbvios desta disputa. Recentemente, com a inauguração da linha de ferro entre Qinghai - Tibet e o anúncio das descobertas de reservas com milhões de toneladas de cobre, zinco, chumbo, ouro e minério de ferro, ficou claro que a ocupação chinesa no Tibet segue a mesma linha de raciocínio. Assim como a disputa de territórios ente Exército, paramilitares e guerrilheiros na Colômbia, ou o conflito na região da Caxemira entre a Índia e o Paquistão (por mais que se diga que é uma questão religiosa), e a perversa produção de diamantes em várias regiões da África. É uma disputa armada que muitas vezes acontece sob o véu protetor do desenvolvimento econômico, como é o caso do faroeste equatorial nos confins da Amazônia e de grandes áreas do Cerrado brasileiro. O comércio de armas, um dos grandes negócios da economia internacional, que só em 2001 movimentou US$ 839 bilhões, agradece. Quanto mais balas disparadas, melhor.

Desses conflitos surge uma legião de “desplazados” (citando o caso Colombiano) que deixam suas terras e migram para as cidades, gerando uma das maiores movimentações populacionais em toda a história da humanidade. Se hoje aproximadamente 50% da população mundial vive nas cidades, projeções da ONU sugerem que essa migração só se estabilizará quando oitenta por cento da população terrestre estiver vivendo nas áreas urbanas. Enquanto se discute sobre o futuro das megacidades e suas periferias, nas áreas rurais de todo o planeta está se potencializando uma histórica concentração de riqueza, mais perversa pois mais sutil: a posse da riqueza natural da Terra. Assim como o bem estar nas cidades é desfrutado por poucos, a riqueza natural do campo é também apropriada por poucos.

Ao que parece, a posse da terra e o manejo de sua produção, base do estado de direito e da economia mundial, vai continuar sendo um ótimo negócio. Enquanto os cortadores de cana do Brasil recebem R$ 5.00 por tonelada de cana cortada e, segundo recentes estudos, tem vida útil menor que alguns escravos do século XIX, os usineiros do álcool estão eufóricos com a previsão de investimentos externos na ordem dos US$ 100 bilhões. Enquanto madeireiros pagavam R$ 40.00 por tora de mogno aos índios da Serra do Cachimbo no Pará*, as mesas produzidas com essa madeira eram vendidas por até US$ 8,500.00 nas lojas Harrods, em Londres.

Afinal, qual o valor que se deve pagar por algo gerado pela própria natureza? Quanto pagar pelos minerais do solo, pela luz do sol e pela força do crescimento das plantações de soja, cana e trigo? A quem pagar pela raridade das jazidas de petróleo e diamante? E pelas fibras das árvores centenárias de mogno? Se tudo isso já estava aqui e é uma dádiva da natureza, como acertar as contas com ela?

Enquanto isso os moradores das favelas das grandes aglomerações urbanas do Brasil, sem ter a posse da terra aonde vivem, sofrem na disputa armada pelo controle de territórios entre grupos de narcotraficantes. E não conhecem a Copaíba.

* 1998, na região da Serra do Cachimbo, onde ficam as reservas indígenas dos panaras e dos mekragnotires.

Estevão Ciavatta é diretor geral do Central da Periferia

17/12/2007

Uma periferia diferente


Conheça a favela onde não há tiroteio, nem tráfico e onde as crianças conhecem os policiais pelo nome.

11/12/2007

Ecologia das armas

Quando se fala em segurança pública no Brasil, a gente logo pensa numa favela, traficantes armados, confrontos com a polícia, balas perdidas... É aqui que o bicho pega! Mas não é só no Brasil, não. A periferia é a última fronteira de guerras e disputas de territórios que sempre fizeram parte da história da humanidade. Segundo o escritor e urbanista Mike Davis, “se lermos os relatórios do Ministério da Defesa Americano e do Pentágono, o tema mais consistente é o problema de que parte do mundo não está sob controle efetivo, o que há 40 anos era identificado como as florestas da China e do Vietnam. Bem, as novas selvas são as favelas nas cidades terceiro mundo, como na Faixa de Gaza, na Somália e no Haiti”. O texto “Ecologia das Armas” foi escrito ainda no primeiro semestre desse ano quando fui convidado pelo AfroReggae a ir conhecer as iniciativas de segurança pública bem sucedidas da Colômbia, o que gerou o filme “O Veneno e o Antídoto: uma visão da violência na Colômbia”. O tema segurança pública se desdobrou no Central da Periferia em uma parceria da TV Globo, Pindorama, Unicef e Viva Rio para trazer dois adolescentes haitianos, que aprenderam português com as tropas brasileiras, para conhecer no Brasil uma outra bem sucedida aproximação entre as forças do Estado e a periferia: o GPAE do Morro do Cavalão, em Niterói. Assim como no último domingo, no próximo, no Central da Periferia, o assunto será segurança pública. O texto também será publicado em duas partes.

Assim como marcas, armas e palavras, andando pelo Brasil a gente encontra muitas árvores que não são brasileiras. Nos quintais vemos uma mangueira carregada, uma jaqueira centenária, um limoeiro pro suco ou pra salada, uma bananeira, sem falar do sempre presente coqueiro. Todos estrangeiros, muito bem recebidos e adaptados ao clima do Brasil.
No entanto, vê-se que a Mata Atlântica foi quase toda derrubada, resultado de mais de 500 anos de uso intensivo e desordenado de nossas terras. Restos frágeis desse ecossistema tão rico, vistos aqui e ali entre vastos pastos de capim colonião, se misturam a todas aquelas árvores já tão brasileiras, formando focos de resistência da vegetação natural. Numa vista d’olhos, o ambiente é muito bonito. É emocionante ver o dendê, o africano, tão bem misturado, por exemplo, à vegetação das terras ao sul de Salvador, Bahia. Mas cadê o jequitibá, o jatobá e a copaíba? Quem sabe delas? Quase ninguém sabe.
Enquanto isso a pobreza se espalha pelas aglomerações urbanas das nossas capitais e cidades interioranas. Milhares de famílias que viviam do uso da terra buscam uma vida melhor nas cidades, cada um com seu motivo particular, seja a vontade de “ser alguém” na vida, a falta de trabalho e de oportunidades no campo, o desejo dos jovens por novas experiências, ou mesmo a fuga das zonas de fome do país. Você foi a Ouro Preto recentemente? Ou a Teresópolis? Ou a Camaçari? Ou mora numa capital de estado? Então você sabe o que é uma favela. Por todo o Brasil, vê-se que o crescimento econômico, infelizmente, não se distribui pelo crescimento populacional das cidades. Em contraposição ao asfalto, às concessionárias de automóveis, aos restaurantes, hotéis e avenidas, as favelas crescem indiscriminadamente nas periferias. O estilo de vida vai se modernizando e uma condição se impõe: a luta no dia-a-dia para ter dinheiro no bolso para pagar a escola, a comida, a diversão, o remédio...

Mas e a copaíba com isso?

Bem, a copaíba é uma árvore que ocorre em quase todo o Brasil, do Rio de Janeiro à Amazônia, e produz um óleo que é um santo remédio utilizado como diurético, laxativo, antitetânico, anti-reumático, anti-séptico do aparelho urinário e, principalmente, antiinflamatório e cicatrizante. Para se ter uma idéia de sua eficácia, o óleo de copaíba em 1677 já constava da farmacopéia britânica e, em 1820, da americana.

No entanto, em 2007, no Brasil, quase ninguém conhece ou viu uma por perto. É verdade que na Amazônia esta árvore ainda é bastante utilizada e também se encontra seu óleo em alguns mercados das capitais nordestinas, mas mais de cem milhões de brasileiros que vivem nas regiões onde outrora vivia a Copaíba, não tem a menor idéia que ela exista. É de se espantar, já que a copaíba tem valor econômico e poderia estar complementando a receita de muitas famílias brasileiras. Ou, se não rendendo dinheiro, ao menos fazendo economizar em remédios nada baratos das indústrias farmacêuticas.

A conquista portuguesa da Terra de Vera Cruz, através das armas de fogo, se legitimou nos cartórios que surgiam em cada nova vila da administração colonial. O direito à propriedade das terras e ao seu usufruto abriu as portas para que o machado e a moto-serra devastassem as florestas nos séculos seguintes. Mas até os anos 1970 ainda se podia encontrar fortes vestígios de uma cultura da terra, aonde a pobreza e o atraso econômico haviam produzido o milagre da preservação ambiental e cultural no pouco que restava de nossas verdes matas. A partir de então, nos últimos 30/40 anos, só vimos a força do capital econômico construir um novo código de valores onde a universalização dos bens de consumo abriu as portas da esperança a toda uma legião de brasileiros que estavam esquecidos no tempo e no espaço.

Até 1960, o Brasil tinha uma população predominantemente rural. No recenseamento de 1970 já se constatou o predomínio da população urbana, com 56% do total nacional. Atualmente, 75% da população brasileira vive nas cidades. No estado do Rio de Janeiro, por exemplo, a população urbana é de mais de 90% do total. E numa sociedade onde a idéia de progresso está associada à uma imagem de vida urbana, a maioria de nós brasileiros podemos sonhar e, quem sabe, conseguir ter um padrão de vida próximo ao chamado “primeiro mundo”, afinal todos temos as informações do que é possível e de até onde o avanço tecnológico chegou. Mas esse mesmo cenário exige uma dedicação e sorte sobre humanas de quem deseja chegar lá. A questão é que, diferentemente do que pensa a maioria dos brasileiros, inclusive a grande maioria das classes C, D e E, não basta só querer ou se esforçar para sair da pobreza. Hoje, no Brasil, se criou uma impermeabilidade social: o de cima sobe e o de baixo desce. Ser professor primário, por exemplo, que já foi uma opção para se chegar à classe média, hoje é um caminho para as favelas. A realidade é cruel e quem viver verá.

Balas perdidas voam pelas cidades. E não só nas grandes metrópoles. O interior do Brasil é assolado pela violência urbana. Recente pesquisa mostrou que a cidade mais violenta do Brasil não é nenhuma capital de estado, mas um destino turístico muito conhecido no Brasil: Foz do Iguaçu. No Rio, a outrora pequena Macaé ostenta o título de campeã regional. Mas espera aí! Essa cidade do norte fluminense vem recebendo investimentos desde que se descobriu petróleo por ali! Ela viu sua economia crescer e se há hoje uma certeza nacional é a de que temos que crescer nosso PIB (mais que a Argentina, se possível), que temos que gerar novos empregos para acabar com a violência e a desocupação dos jovens. Ou não? A sabedoria convencional diz que sim mas cabe a pergunta: por quê a violência e a pobreza aumentam proporcionalmente à geração de riqueza?

“Ecologia das Armas” continua na semana que vem. Até lá.


Estevão Ciavatta é diretor geral do Central da Periferia

Regina Casé está de volta depois de viajar pelas maiores periferias do mundo!

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